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quinta-feira, julho 30, 2009

O triunfo do Virtual sobre o Real?

O recente surgimento dos mega-blogs políticos (SIMpleX e Jamais) tem provocado diversas reacções na blogosfera nacional. O Diário de Notícias fez, na sua edição de segunda-feira, uma ampla reportagem sobre o assunto. Contactado, colaborei na análise com um curto texto de opinião, que agora convosco partilho:

O prolongado debate sobre a relação entre a sociedade civil e a sociedade político-partidária tem hoje uma nova dimensão: o espaço virtual da blogosfera. O «Simplex» e o «Jamais», com independentes e encartados, simbolizam isso mesmo. O fenómeno não é novo, nem mesmo em Portugal («Super Mário» e «Pulo do Lobo»), mas ganhou importância com advento da maturidade da blogosfera nacional, com a crescente qualificação e exigência da sociedade civil e do eleitorado (com muito e bom acesso à informação), e com o impacto do fenómeno Obama. O mundo virtual ganhou espaço e consolidou-se. A reacção dos Partidos foi interessante. Primeiro estranharam, depois entranharam.

Encontramo-nos então numa nova fase da vida política-partidária, que aproveita o que emana da blogosfera e bebe da sua reflexão crítica independente, complementando assim os contributos que vêm das vias tradicionais (universidades, sindicatos e movimentos sociais). Mas enganem-se os que julgam que a política só deve existir na net, pois os problemas dos portugueses continuam a ser mundanos. O mundo virtual deve complementar o real, e não o contrário. A política ainda se deve fazer para as pessoas. E essas continuam a ser reais.

quarta-feira, julho 08, 2009

O caso das duplas candidaturas ou um par de ideias sobre recrutamento político.

A recente decisão da direcção do Partido Socialista em impedir uma dupla candidatura às autarquias e à Assembleia da República é de louvar. Há muito que se falava, dentro do Partido, sobre esta situação (que devia, aliás, ser extensível a todos os órgãos do poder político); pelo que a mesma não é nenhuma surpresa.
Infelizmente a mesma direcção do Partido Socialista não entendeu avançar com esta medida no inicio do ciclo eleitoral deste ano decisivo. Talvez se o tivesse feito, poderíamos estar agora em vésperas de salvar o Porto da gestão desastrosa a que tem sido sujeita nestes últimos anos. No entanto, não é por o não ter feito em Junho que não o pode anunciar agora. Pior seria repetir no erro. Repito, é uma medida de transparência que é de louvar.
Claro que esta decisão, não antecipada, suscitou uma interessante reacção corporativa por parte de alguns visados que, agora com o lugar de deputado em risco (para o serem terão de abdicar da candidatura autárquica), tem vindo para os órgãos de comunicação social plasmar as suas indignações. Ao contrário de alguns amigos, eu acho vergonhoso que deputadas da qualidade da Leonor Coutinho ou da Sónia Sanfona se insurjam contra esta medida, quase dando em entender que o seu lugar cativo na Assembleia da República lhes tinha sido vilmente roubado. Esse lugar não devia ser de quem quer «servir o povo?». De quem quer «servir o país?». Então que sentido faz o tal sentimento de pertença e de direito?
E o que dizer das afirmações da Leonor Coutinho acerca da «carreira de deputado»? Desculpem a vinha costela anglo-saxónica, mas tenho para mim que os lugares políticos devem ser encarados sempre como temporários. Não existe – ou não devia existir – essa tal carreira, como é subentendida pela Leonor Coutinho. Os Partidos deviam, isso sim, recrutar os elementos que julguem mais capazes para dar corpo a um determinado projecto político (que deveriam agregar diversas valências, provindas de varias proveniências); elementos esses que regressariam à sociedade civil depois de cumprido os propósitos do projecto ou aquando da alteração do mesmo.
O que também está subentendido nas declarações da Leonor Coutinho, e é mais grave – em minha opinião -, é a suposta existência de um sistema de equilíbrios intra-partidário que permite acordos e arranjos que perpetuam uma elite partidária na rede de cargos públicos e políticos. Tal insinuação, que denuncia uma gritante falta de democracia interna na vida partidária portuguesa, permite ainda visualizar como o sistema partidário português é gerido e como ele afasta outras possibilidades de recrutamento, nomeadamente quando tratamos de lugares intermédios do sistema político (situação que naturalmente limita a renovação e a mobilização extra-partidária).
Por fim, a reacção extemporânea da Leonor Coutinho leva-me ainda a querer seguir este caso com alguma atenção (até por razões académicas), e de querer saber – uma vez quebrado o tal acordo prévio – o que farão agora estes atingidos. Regressarão à sociedade civil ou serão colocados numa qualquer gaveta de acesso político? Que tipo de novos acordos serão forjados?
Não se entenda, no entanto, esta situação como exclusiva do Partido Socialista. Nem pensar. Este sistema existe em todos os partidos com acesso a cargos públicos e à administração do Estado. É, aliás, um dos cancros da nossa democracia contemporânea; da nossa III República. E um diagnostico conhecido e comprovado. Para quando mais soluções?

terça-feira, julho 07, 2009

Tourada, Forcados e caralhad&%, ou a questão dos pesos e das medidas e da coerência em política.

Os recentes episódios ocorridos na Assembleia da República aquando do Debate da Nação (o da birra do «forcado» Paulo Rangel - aqui e aqui - e a faena a Manuel Pinho) voltaram a lembrar que Portugal, apesar de todo o progresso conseguido nestes últimos 30 anos, ainda anda muito longe de ter estabelecido uma democracia de qualidade e de consequência. Fizemos auto-estradas, escolas e hospitais. Gastamos dinheiro que não era nosso, prometemos sonhos de outros e desenhamos um país fácil e irresponsável (ver, sobre este tema o excelente artigo do Nicolau Santos este fim de semana no Expresso).
Com tanto desenvolvimento estrutural esquecemos de promover – juntamente com este hardware desenvolvimentista - um software político de qualidade. Esquecemos de promover uma cultura política de qualidade e de consequência (tema a voltar).
Pior, não conseguimos – ainda – ultrapassar o dogma da partidarite e da conveniência política. Só isso explica, como muito bem apontou a Fernanda Câncio, o duplo critério do Presidente da República, célere a repudiar o gesto de Manuel Pinho mas esquecido em relação às actuações de Paulo Rangel – aqui ou aqui; José Eduardo Martins ou de Alberto João Jardim.
O mesmo se passa com a coerência da «política de verdade», chavão-base da candidatura de MFL ao Governo do país; onde a velocidade da condenação às práticas socialistas nunca é acompanhada pelo descarte ou pelo distanciamento em relação às situações menos felizes dos seus apoiantes. Esta falta de coerência evidente remete esta candidatura para a categoria das candidaturas tácticas, vazias e inconsequentes. Nada de novo acrescenta, portanto. Nenhuma ideia ou projecto para o país, aposta apenas no desgaste do adversário e na capitalização política dos seus erros. Nada de positivo produz. Nenhuma Verdade acrescenta.
Um pouco tarde, é verdade, mas parece-me que José Sócrates elevou – nos últimos dias – o nível de exigência dos seus correligionários. Primeiro demitindo prontamente o Ministro da Economia (que há seis meses se manteria no lugar) e depois afrontando certo establishment do Partido Socialista impondo o impedimento da dupla candidatura a autarca e deputado. Há hoje mais exigência no Partido Socialista, e não vi a mesma medida ser tomada para uns e não para outros (como tem feito o PSD). Sem efeitos retroactivos, a mesma medida aplicou-se a todos os casos.
Não que estes recentes acontecimentos alteram o panorama geral da política portuguesa, mas são sinais que há que mudar alguma coisa (para que tudo fique igual?), ou que alguma coisa pode mudar, nesta tourada da vida política portuguesa. Mais qualidade, e mais consequência, precisa-se.

domingo, junho 28, 2009

Clubismo Partidário ou uma reflexão sobre Identidade em Política.

Amanhã vai sair um novo cartaz do António Costa e da candidatura Unir Lisboa. O mesmo, que pode ver neste post, é em tons de verde. Não me parece mal a cor (apesar do meu benfiquismo), que procura absorver o conceito plural do alfacinha lisboeta (daí a cor verde alface), nem me parece uma má ideia do ponto de vista político e do marketing. Se por um lado procura apresentar António Costa como um líder para toda a cidade; por outro, procura lembrar o carácter trans-partidário da sua candidatura, facto manifestado pela elevada quantidade de independentes da sua lista de 2007 (que se espera que se repita em Outubro). Essa é uma marca da candidatura Unir Lisboa, que agora se procura valorizar.
No entanto, não posso deixar de estranhar a volatilidade identitária que se tem verificado na forma de comunicar da política contemporânea, que reflecte como se aprecia a ideia de identidade Política. Antigamente as cores eram fixas e tinham uma importante representação simbólica. O vermelho representava o trabalhismo, a social-democracia, o socialismo e os vários comunismos. O azul a democracia cristã. O Amarelo os liberais e o Verdes… os verdes. Quando vemos que muitos partidos e forças políticas mantem as suas cores, a verdade é que o PS se foi afastando da sua. Fê-lo por razões de deslocamento ideológico e de penetração no mercado eleitoral centrista (que tinha – e ainda tem – receio de demonstrações demasiado rubras), Fê-lo por questões de procura de espaço simbólico (excessiva concorrência nos vermelhos – o Bloco também o fez, correndo para os roxos). Inicialmente António Guterres inventou o Rosa; e mais recentemente José Sócrates apresentou-se com os azuis institucionais. As razões são as mesmas: deslocar ideologicamente o Partido Socialista da esquerda, coloca-lo no centro governamental e disputar o eleitorado centrista e conservador. Boa medida em termos de resultados eleitorais, mas com dúvidas em relação à implementação de políticas públicas (boas numas áreas, más noutras).
Curiosamente, também por razões de marketing, os clubes de futebol sofreram nos últimos anos uma transformação simbólica similar. Antigamente o Benfica só se apresentava de Vermelho ou de Branco. O Porto de Azul e o Sporting de Verde. Hoje, para que se vendam mais e mais camisolas, vemo-los a trocar de equipamento todos os anos, para cinzas, pretos, cor-de-rosa, etc. A ideia continua a ser a de conquistar eleitorado. Neste caso futebolístico.
Esta fase de clubismo partidário, que parece só afectar o Partido Socialista, diz-nos então – pelo menos – quatro coisas. (1) O PS perdeu sustento ideológico e hoje é um partido assumidamente de poder (o que em si não é uma má característica, pelo contrário, pois assume a responsabilidade de ser transformador); (2) desenvolveu uma leitura da sociedade onde entende que o Partido deve ser superior à sua militância e ao seu activismo; procurando ligar-se directamente aos cidadãos. Este processo é possível porque (3) o PS perdeu a sua definição ideológica e assume-se como um Partido catch-all sem o sustento simbólico que amarra a sua militância-base. Neste caminho foi perdendo identidade. Primeiro o Vermelho, depois o Rosa. Por outro lado, (4) esta estratégia apresenta o Partido Socialista como o Partido de todos os Portugueses, e não somente da sua clique partidária ou grupos de interesse que o procurem sustentar. O PS é hoje um Partido de Governo, e para sê-lo com mais eficácia simbólica necessitou de se afastar de um passado carregado ideologicamente. Esta dimensão, reafirma a primeira apreciação, pois um Partido com tais características liga-se directamente ao eleitorado, menosprezando os seus militantes.
Agora, é esse o rumo da política contemporânea? Ou só o do PS? A verdade é que outros partidos também fazem este percurso. O Bloco nasceu no Roxo, e os partidos da direita nunca necessitaram de sair das suas definições simbólicas, até porque eram os únicos no terreno (laranja só o PSD, azul só o CDS; enquanto que no vermelho…). Sobre o assunto acho que nem tanto ao Mar nem tanto à Terra. É verdade que os Partidos Políticos devem procurar sair da sua massa militante constituinte e procurar envolver directamente os cidadãos; mais ainda quando se apresenta em listas sem exclusividade partidária (como foi a lista Unir Lisboa). Por outro lado, não podem as forças políticas perder a sua identidade, pois se o fizerem ficam reféns dos líderes de circunstância e das modas dos tempos e correm o risco de governar sem sabor, sem Ideia, sem Ideologia. Esta é uma pecha da governação contemporânea, em especial à esquerda (e isto é visível não só em Portugal) e que necessita de ser colmatada. Como o fazer? Isso é motivo para um outro post… (e um desafio para quem ler este…)


sábado, maio 23, 2009

Dos recursos em política.

Recentemente escrevi um texto neste blog que levantou alguma inquietude pelos lados de alguma blogosfera portuguesa. Entre algumas considerações, falava dos recursos que a direita portuguesa tem empregado no espaço virtual (e não só) português.
Deliberadamente deixei o texto aberto a diversas interpretações, não só para testar o nível das mesmas, mas também para procurar aferir as leituras que daí adviriam. Verifiquei depois, sem surpresa, porque o estado do debate político em Portugal é de fraco nível, que fui atacado por tudo e mais alguma coisa de direita que mexesse.
Sem stress. Escrever publicamente é também provocar emoções.
A piada é que os destinatários não entenderam (porque não quiseram? Porque não conseguiram?) que quando me referia ao uso de recursos da direita, e entre outros, referia-me à capacidade de atracção e motivação que a direita, e em especial o PSD, tem conseguido relativamente à blogosfera portuguesa (e não só).
O PSD hoje é, para um conjunto de pessoas, um projecto atractivo e motivador. É genuína essa motivação. E não vem de agora. Projectos como o Atlântico (que aliás teve um breve antecessor que não me recordo agora do nome), o 31 da Armada, tudo em que o PPM se envolveu, não são de agora. Já tem alguns anos e foram (e continuam a ser, ainda que menos) inovadores. Lembro bem a cobertura que o 31 da Armada fez dos últimos Congressos do Bloco de Esquerda, a ligação Atlântico-blog com a Atlântico-revista; projectos que permitiram o aparecimento e amadurecimento de óptimos pensadores do Portugal contemporâneo, como o Henrique Raposo (para citar aquele que acho mais consistente, ainda que não seja do PSD).
Motivação essa que, curiosamente, falta á esquerda. Qual foi o último projecto motivador do PS, por exemplo? O choque tecnológico? As Novas Fronteiras? Talvez os Estados Gerais, mas aí ainda se mandavam cartas às pessoas. A net, já existindo, no máximo era 0.1, qual 2.0…
É, aliás, para mim preocupante, como militante activo do Partido Socialista constatar esta realidade, e apesar de conseguir encontrar algumas explicações (a grande maioria da massa crítica e pensante socialista está governamentalizada, trabalha arduamente e com afinco para a melhoria das condições de vida do país – aceitou o difícil desafio de colocar em prática o que apregoa -, e não tem tempo nem para se coçar, quanto mais para twittar…), a verdade é que acho que podemos fazer mais e melhor, no que concerne a motivação dos nossos (muitos) apoiantes.
Falta ao PS, claramente, uma estratégia que se adeqúe à política 2.0. Não deve cair no exagero do PSD, que faz uma campanha virtual para um país virtual, mas deve saber entrar, de forma construir, criativamente, a política 3.0; a que articule o virtual com o real.
De motivação, afinal, falava eu, não de dinheiros ou de conspirações. De Motivação. Não é este, afinal, um dos mais preciosos recursos em política?

quinta-feira, maio 21, 2009

País Real.

Gosto de ver o PSD em campanha virtual. Demonstra e recorda-me, uma vez mais, que para o PSD Portugal é uma espécie de espaço virtual, um qualquer 2 live. (aliás estratégia bem visível na equipa virtual que estão a apresentar à Europa. Alguém sabe de mais algum candidato sem ser o Paulo «faz-tudo-aparece-em-todo-o-lado-sozinho» Rangel?).
Alguém lhes devia fazer notar que há um país real, com pessoas verdadeiras, que não tem internet, não sabem o que é um blog, nem sabem pronunciar twitter.
É para essas pessoas, reais, que nós (socialistas, portugueses e europeus) fazemos campanha. É com os problemas deles, dos portugueses, que nos preocupamos. É para eles, portugueses e portuguesas com estado físico (e não virtual) que procuramos governar com o sentido social marca dos governos socialistas.
Sim, porque ainda acreditamos que a política se faz com e para as pessoas. Não para nicks, facebooks ou twitters.

segunda-feira, maio 11, 2009

Parece que anda mesmo a incomodar…

Em dia de viagem (estou agora em Bruxelas – onde verei como anda a campanha no seio da Europa) segui com algumas distância mas interesse a recente polémica em torno das recentes declarações da Elisa Ferreira, candidata do Partido Socialista ao Parlamento Europeu e candidata do PS à Câmara do Porto (por exemplo aqui, aqui, aqui ou aqui).
Em primeiro lugar, uma questão prévia: alguém sabe do trabalho que a Elisa Ferreira tem feito no Parlamento Europeu? Não, é natural. Em Portugal dá-se pouco destaque ao que se passa pela Europa. Sugiro então, para começar a nossa conversa, uma visita ao seu excelente site, onde se pode atestar o excelente trabalho e contributo que tem deixado no Parlamento Europeu. Tivesse Portugal mais eurodeputados da craveira, empenho e excelência da Elisa e não estaríamos ainda a falar de prateleiras douradas na Europa. Se há quem trabalhe, com a qualidade e exigência – e ainda por cima sob temas tão complexos e pertinentes como a questão da competitividade europeia, da crise financeira ou do plano de recuperação económica europeia, esse alguém é a Elisa Ferreira. E muto perde Portugal com a sua candidatura à Câmara Municipal do Porto (mas quem sabe e vê o carinho que ela tem pela sua cidade (mais quando confrontada com o estado actual da antiga capital do Norte) tem de entender a razão da sua candidatura…)
Segundo ponto, de comparação: alguém sabe que trabalho têm desenvolvido os eurodeputados do PSD? Ou mesmo do PPE? Sabemos que tem procurado fazer prevalecer na Europa um modelo neo-liberal retrógrada e populista. Vejam e sigam, por exemplo, esse grande líder do PPE que é Silvio Berlusconi, cuja recente e brilhante ideia passou por apresentar uma lista de 35 modelos como candidatas a eurodeputadas. Decerto que Paulo Rangel e os diversos comentadores laranjinhas se reverão mais nas práticas polícias d’Il Cavagliere que no trabalho e no curriculum da Elisa Ferreira.
Já agora, há alguém no PSD na lista à Europa que o Paulo Rangel? Ou estamos perante uma candidatura unipessoal? Quem é que está indigitado para continuar na Europa? Só o Carlos Coelho? Isso diz muito acerca da produtividade e do trabalho produzido pela actual equipa do PSD, não?...
Ultima reflexão. Concordo com a apreciação de que a candidatura da Elisa parece estar a incomodar muita gente. Parece mesmo que o bastião do eterno delfim social-democrata está em risco, ou não viriam estes ataques concertados. Nada a que a Elisa já não esteja habituada, devo dizer, e se há algo que não a incomoda, é exactamente incomodar.
[Também publicado no Eleições 2009 e no Les Canards Libertaires]

quinta-feira, maio 07, 2009

Sic Noticias

Hoje no Jornal da Noite da SicNot julguei estar em 2011, e em pleno debate entre os principais candidatos para as legislativas desse ano. Estavam o Paulo Rangel e o António José Seguro em antena. Premonição?

terça-feira, março 31, 2009

Global Progressive Fórum


Começa depois de amanha o Global Progressive Forum, iniciativa conjunta da família socialista, social-democrata e trabalhista europeia (Internacional Socialista [IS], Partido dos Socialistas Europeu [PES], Fundação para os Estudos Europeus Progressistas [FEPS] e Grupo Parlamentar do Partido Socialista Europeu no Parlamento Europeu).
Esta iniciativa, que pretende promover o debate sobre os grandes temas da agenda progressista contemporânea, tem passado ao lado da agenda das gentes pensantes locais, que se mostram mais interessadas em debater e discutir se a ópera (ou não) do CCB deveria ter começado mais cedo. Imagino que a importância de tal episódio do CCB seja realmente elevada. Afinal, quando não há oposição, inventa-se. Adiante.
Este fórum terá treze workshops e três sessões plenárias, cobrindo temas como as alterações climáticas, a pobreza mundial, os direitos das mulheres, globalização e migrações, da fome ou do trabalho, para destacar algumas.
No entanto, e se me permitirem, queria destacar duas sessões. Uma relativa às questões da nova governança mundial (esta com a presença da Maria João Rodrigues) e principalmente a sessão inaugural do Fórum, sobre uma globalização progressista (que contará com a presença de Bill Clinton, Poul Nyrup Rasmussen, Josep Borrell, Martin Shulz, Juan Somavia e Sharan Burrow).
O site do GPF transmitirá o Fórum em directo, e haverá liveblogging e twitting de bloggers convidados (Tiago, desculpa) e de agentes institucionais (PES, Grupo Parlamentar do PES).
Esta é uma verdadeira oportunidade de seguir alguns dos debates que marcam a agenda progressista europeia (e mundial). É um debate necessariamente incompleto, mas que tem a virtude de congregar os principais actores e instituições que hoje moldam a nossa contemporaneidade política.
Este Fórum também oferece a ocasião de conhecer o trabalho da família socialista, social-democrata e trabalhista europeia (e mundial), e de perceber que a verdadeira alternativa progressista ao estado do mundo actual está ali. Não numa qualquer renovação neo-liberal ou neo-capitalista, não na esquerda radical anti-patronato ou na direita neo-autoritária; mas nas novas leituras da social-democracia contemporânea.

estado de graça

Acho extraordinário que o José Sócrates ainda esteja, depois de quatro anos duros de governação, em algum «estado de graça». E, pelo que leio por aqui parece ser essa a leitura do «episódio CCB» (ver Adolfo Mesquita Nunes e Pedro Picoito, por exemplo).
Bom, a ser assim há que congratular o Primeiro-ministro. Decerto será inédito, mesmo a nível europeu – eu arriscaria – verificar que um Primeiro-ministro em exercício consiga chegar ao inicio do seu quarto ano de governação ainda em estado de graça… Olhem que nem o Obama conseguirá tal feito.

Também acho realmente extraordinário que se junte este fait divers ao do cigarro da Venezuela (quando é que foi mesmo?). Será este verdadeiramente o estado da oposição política hoje em Portugal? Ópera & Cigarros. É disto que se ocupam os comentadores atentos da nossa praça?
E o que é que fazem com o resto do tempo?

domingo, março 15, 2009

Ainda sobre os professores

Na sequência do post anterior só tenho mais um ponto a acrescentar, partindo da notícia do Público: Para isto já têm tempo e formação! Bendita avaliação que aí vem. Que atraso de vida se estão a tornar…

Actualizar-me é que não…

Uma professora dá aulas a uma turma. Recebe uma pen drive com a qual pode fazer um update a um software que está num computador (no caso, os erros do Magalhães) enquanto vai dando a matéria ou promovendo a actividade normal de uma aula do 1º ciclo. Não parece nada de transcendente. Presumo que o update será colocar a pen drive na porta USB e, quanto muito" dar uns cliques (mas como o software é Linux, fico-me pelo "presumo"). Situação normal?

Não. Situação motivadora de um coro de protestos. Acham que os tornaram em técnicos de informática. Uma vergonha o que este governo está a fazer.

No século XXI temos professores (não estamos a falar de qualquer um, estamos a falar de uma classe social que ensina os que serão o nosso futuro) que não evoluíram e que reclamam quando os põe a mexer com computadores. No século XXI. Não é piada, é mesmo assim.

Enfim, que dizer? É esta a classe docente que temos no 1º ciclo? Ainda bem que não tenho filhos

quarta-feira, março 11, 2009

Dia Internacional da Mulher - Update

Update do Dia de Acção Europeu sobre o Dia Internacional da Mulher.

Já tinha destacado, no último email, o relato da Ana Elisa (de Leiria) e a reportagem alargada de Budapeste e identificado os seguintes links (1) blog do PES com as informações gerais; (2) apreciações de sexta-feira; sábado (aqui e aqui); e Domingo; (3) Posts e fotos no Loja de Ideias e Les Canards Libertaires e ainda o meu Twitter; (4) Posts de Budapeste; Vilnius e Paris. A estes eventos acrescento agora os eventos da Eslovénia, de Génova e de Espanha.

Por fim, gostaria de individualizar o excelente report da Clara Pinto sobre a sessão do Palácio Foz, onde foi apresentado o «Portal para a Igualdade» e lançada a «Campanha sobre a Tomada de Decisão».

Convido-os, aliás, a lerem este último post da Clara Pinto e a comenta-lo.

Não me parece que haja mais algum Partido político (europeu) que tenha esta capacidade organizativa de organizar eventos à escala europeia. Não conheço.

Só mesmo o Partido dos Socialistas Europeus.

sexta-feira, março 06, 2009

domingo, março 01, 2009

A Dignidade do Congresso

Ontem à noite houve uma falha de energia que obrigou a que o congresso do PS tivesse que encerrar os trabalhos por volta das dez e meia da noite, em vez da hora normal das 2/3 da manhã. Obviamente, isso significou que vários delegados não puderam falar ao congresso, usando os três minutos de que dispõem. Seria natural que o congresso no dia de hoje tivesse que se prolongar para permitir que esses delegados inscritos pudessem usar da palavra.

No entanto, o meu camarada Vitalino Canas disse às câmaras de televisão que o congresso encerraria com o discurso de José Sócrates por volta da uma da tarde de hoje, e pedia compreensão aos delegados que assim não poderia falar ao congresso. Mais tarde, Almeida Santos rectificaria essa posição de Vitalino Canas dizendo que seria feito o máximo esforço para que todas as pessoas inscritas pudessem falar. Penso que essa posição é a única sustentável à luz dos princípios do PS.

Mas este episódio levanta dúvidas sobre o papel do congresso do partido na lógica institucional do PS.

Sabemos que do ponto de vista mediático, os congressos são eventos planeados para o exterior, para a comunicação social, de forma a apresentar as principais linhas do partido ao país. Mas tal função de mediatismo não pode ofuscar a importância do congresso como órgão máximo do partido.

Apenas dois órgãos são escolhidos por votação entre todos os militantes do PS em eleição directa. O secretário-geral e os delegados ao congresso.

O congresso é o órgão máximo do PS! Os seus delegados aprovam a moção global de estratégia do partido até ao próximo congresso, e elegem a comissão nacional que é quem vai nomear a comissão política e o secretariado do partido. E mais do que isso, os delegados eleitos representam directamente todos os militantes. E falam pelos militantes.

Mesmo que estejam a falar para uma sala quase vazia, mesmo que utilizem os seus minutos para declamar poesia à Edite Estrela, ou para cantar o "malhão malhão". Eles são os representantes de todos os militantes.

É preciso respeitar isso!

Diogo Moreira

As Credenciais de Vital Moreira

Não estão em causa os méritos, reconhecidos por todos, de Vital Moreira como um excelente constitucionalista ou até mesmo como um dos mais famosos bloggers da nossa praça. Ele é a escolha de José Sócrates para cabeça-de-lista do PS às eleições do Parlamento Europeu (PE) e será certamente ratificado pela comissão política que sairá eleita hoje.

No entanto, houve uma frase que Vital Moreira disse aos jornalistas ontem, depois do anúncio da sua escolha, que me deixou francamente preocupado sobre se Vital Moreira realmente conhece o partido pelo qual vai ser cabeça-de-lista.

Vital Moreira disse que tinha credenciais suficientes como académico (!) e comentador político (!) para ser bem sucedido como candidato do PS ao PE.

Credenciais de Académico? Credenciais de comentador político? Para se ser candidato do PS a eleições???

Como diz um amigo meu, isto é (ainda) o Partido Socialista!

No PS, não existem honoríficos académicos ou de outra tipo (não existe os doutores, os drs, os engenheiros, as excelências, etc..). Somos todos camaradas. O único título que se acrescenta quando se está a falar de ou com camaradas é o cargo partidário (e é raro). José Sócrates não é o engenheiro José Sócrates no PS, é o camarada José Sócrates ou o camarada Secretário-Geral.

E obviamente que os cargos políticos não são mencionados em reuniões partidárias. Não existem ministros ou deputados em reuniões do partido. Existem apenas camaradas. O contrário seria confundir o partido com o Estado.

E isto não é apenas uma questão de estilo ou de semântica. Na raiz do tratamento "camarada" como a única forma de trato aceitável no Partido Socialista está um conceito fundamental da militância socialista e da social-democracia: a igualdade de todos os militantes dentro do PS!

Não interessa se uma pessoa é rico ou pobre, está empregado ou desempregado, é um académico/comentador político ou um cidadão anónimo. Todos somos iguais dentro do partido.

Aliás, esta igualdade está também na génese da própria democracia. Todos os cidadãos são iguais. Os seus votos valem o mesmo e todos se podem candidatar a eleições.

É candidato do PS a eleições quem os órgãos do partido decidirem que é candidato. Esta é a única condição para ser-se candidato pelo PS. Ter a confiança do partido.

Essa ideia de Vital Moreira de que o facto de ser académico ou comentador político dá-lhe condições para desempenhar bem o cargo, é a mesma coisa que dizer que pessoas que não são académicos ou comentadores políticos não teriam condições para desempenhar o cargo? É esse o intuito por detrás da sua frase?

A bem do PS e do próprio Vital Moreira, espero que tenha sido uma frase infeliz. Porque basta percorrer na história do PS e doutros partidos quantos foram os candidatos que eram académicos e/ou comentadores políticos para ver o ridículo.

Já sabíamos que os comentadores políticos vivem num mundo sobre si mesmos, falam uns para os outros, e muitos parecem que estão noutro planeta. O mesmo se pode dizer dos académicos.

Nunca pensei é que essa cegueira fosse tão grande.

Diogo Moreira

Convidados Indesejáveis

José Lello afirmou que o PS tinha convidado representantes de vários partidos socialistas, sociais-democratas e trabalhistas para o seu congresso que agora está a decorrer. Entre esses convites, estariam o MPLA de Angola, o PSUV de Hugo Chavez e o Partido Comunista Chinês.

Estou absolutamente espantado que o meu camarada José Lello considere partidos de regimes ditatoriais (como o regime totalitário chinês ou a ditadura de José Eduardo dos Santos) ou partidos cujas acções estão claramente a pôr em causa a democracia no seu país (como é o caso do partido de Hugo Chavez), como sociais-democratas. A social-democracia, corrente ideológica do PS, nasceu para combater todas as formas de autoritarismo, e sempre teve a democracia como o único mecanismo para resolver questões políticas. Os sociais-democratas não são revolucionários e não impomos os nossos ideais pela força!

O PC chinês, o MPLA de Angola e Hugo Chavez não são sociais-democratas. Nem sequer são democratas.

Por isso, não consigo compreender como é que o congresso dum partido democrático como o PS aceita ter como convidados de honra, representantes de regimes autoritários que oprimem as suas respectivas populações. A sua presença no órgão máximo do PS, perante delegados eleitos em processo democrático por todos os seus camaradas, é um insulto a todos aqueles que no PS lutaram pela implantação da democracia em Portugal.

Sabemos por Nuno Gouveia que os representantes do partido de Hugo Chavez não vieram a Portugal, e que os representantes do regime totalitário chinês foram aplaudidos pelo congresso (!!!). Mesmo que tenham sido apenas aplausos de circunstância, na minha opinião é um acto vergonhoso. O PS defende a democracia. Não aplaude ditadores ou os seus representantes.

Tendo ouvido várias vozes a dizer que era necessário convidar estes indivíduos ao congresso do PS de forma a continuar a assegurar boas relações de Portugal com os respectivos países. A meu ver, argumentos como este representam uma concepção distorcida do que é um partido em democracia, mesmo quando está no poder.

Nos regimes autoritários, é normal que o partido dominante (ou único) seja confundido com o próprio Estado. Serão uma e a mesma coisa.

Em democracia, os partidos que estão no poder, que é sempre transitório, nunca se podem confundir com o Estado!

Portugal pode sentir a necessidade de ter boas relações diplomáticas com ditaduras. Isso é uma questão de política externa, definida pelos órgãos de soberania da República. Em nenhuma circunstância podem as acções do Estado português ser confundidas ou influenciarem acções partidárias. Da mesma forma que é inadmissível que interesses meramente partidárias possam influenciar as acções do próprio Estado.

O PS é uma coisa. O governo de Portugal é outra.

Quem não consegue compreender isto, não percebe o que é o PS ou a democracia.

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